O prefeito diz uma coisa, um secretário diz outra, um terceiro propõe algo diferente dos outros dois. Esta situação tem sido recorrente na administração do prefeito Marcelo Crivella. Se por um lado, a falta de uma coordenação deixa sua equipe totalmente desencontrada, a velha política de troca de cargos em busca de apoio político se encontra muito bem representada. As superintendências regionais foram entregues a aliados políticos. A seguir, uma seleção das #crivelladas de sua administração.

Em 100 dias a gestão do prefeito Marcelo Crivella…

… exonerou cerca de 1500 servidores no primeiro dia de sua administração, alegando austeridade para reduzir custos. No entanto, reintegrou centenas desses profissionais dias depois. Os sucessivos recuos foram considerados demonstrações de amadorismo por especialistas. Em 20 dias de mandato, foram feitas 400 reintegrações.

… criou 16 Superintendências de Supervisão Regional, para as quais nomeou aliados políticos.

… nomeou o próprio filho, Marcelo Hodge Crivella, como secretário da Casa Civil. Uma semana depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a nomeação, que foi considerada nepotismo, ou seja, prática que favorece parentes. Além disso, o Conselho Federal da OAB protocolou reclamação no STF afirmando que o filho de Crivella não tem condições técnicas para assumir o cargo.

ignorou a tradição do carnaval carioca e não entregou a chave da cidade ao Rei Momo. À imprensa, ele disse que sua participação seria demagogia e que “ninguém pode ser obrigado a fazer nada”. Mas a secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, que o substituiu no ritual, disse que o prefeito não compareceu porque a esposa estava com gripe.

… cortou R$ 547 milhões do orçamento da Saúde, contradizendo o que havia prometido durante a campanha. Quando era candidato, disse que aumentaria o orçamento da Saúde em R$ 250 milhões.

… cortou R$ 112 milhões do orçamento da Educação.

… declarou, no primeiro dia do mandato, não ter a pretensão de cobrar contribuição previdenciária de aposentados. Dois meses depois, mudou seu discurso, defendendo a proposta do novo presidente do Previ-Rio, Luiz Alfredo Salomão, que quer cobrar a alíquota de 11% sobre os salários de aposentados e pensionistas.

… convocou concursados da Educação de forma limitada. Existem professores que abriram mão de seus empregos para fazer o curso de formação da Escola Paulo Freire, que prepara os educadores para ingressar na rede e ainda não foram chamados.

… não sabe quando irá pagar os projetos aprovados no edital de fomento da Secretaria de Cultura da gestão passada. A dívida é de R$ 25 milhões. No entanto, já anunciou que irá lançar novos editais, mesmo sem pagar o anterior.

… blindou a base do governo na Câmara Municipal com relação à CPI do Porto Maravilha, que pretende investigar indícios de corrupção e ilegalidades na empreitada.

… anunciou, por meio do secretário de Transportes, Fernando Mac Dowell, entregar a Linha Vermelha para a iniciativa privada, que cobraria pedágio. No mesmo dia, o prefeito desautorizou o secretário e afirmou que o assunto ainda não havia sido discutido.

… diante do assassinato da estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, de 13 anos, dentro de uma escola pública, indicou três supostas soluções totalmente desencontradas para garantir a segurança das crianças: o secretário de Educação, Cesar Benjamim, propôs que não houvesse mais operação militar em horário escolar; o secretário de Ordem Pública, Paulo César Amêndola, propôs que a PM avisasse à direção da escola antes de iniciar uma operação; já para o prefeito, a solução estaria numa argamassa à prova de balas, importada dos Estados Unidos, que já teria sido encomendada.

… não bastasse apelar no Supremo para reintegrar o filho à Casa Civil, decidiu nomear o sócio de sua filha, Alessandro da Silva Costa, como subsecretário na mesma pasta.